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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

NEOLOGISMOS CRIADOS POR MEIO DA COMPOSIÇÃO

Os neologismos são novas palavras, que criadas, podem ou não cair no uso dos falantes da língua.Alem de ampliar o léxico, os neologismos suprem uma determinada necessidade de designar algo novo na língua.

O processo de composição implica a justaposição de bases autônomas ou não-autônomas. A unidade léxica composta, que funciona, morfológica e semanticamente como um único elemento, não costuma manifestar formas recorrentes, o que distingue da unidade constituída por derivação. Revela um caráter sintático, subordinativo ou coordenativo.

Composição Subordinativa

Numa relação de composição entre os ítens lexicais, a posição de proximidade entre estas palavras gera uma relação de determinado/ determinante ou vice-versa. Torna-se um só item lexical, morfológico e semanticamente definidos, há, por isso, uma transposição ao nível de palavra.

Ex. “Sem grandes nomes notórios a São Clemente mantém-se fiel à sua linha de enredos-denúncias”
O 2º termo determina, especifica o 1º.

“Operação-desmonte”, “político-galã” (base substantiva)
“lava-louça, “guarda-volume” ( base verbal)
“pinta-preta”, média-metragem (base adjetival)

COMPOSIÇÃO COORDENATIVA

A função sintática da coordenação é exercida pela justaposição de substantivos, adjetivos ou membros de outra classe gramatical. Os componentes substantivais e adjetivais compostos coordenados não apresentam relação de determinante e determinado. As bases que compõem a nova unidade léxica desempenham a mesma função que a do elemento recém-formado e associam-se copulativamente a fim de formarem esse neologismo.

Ex. “Enviar uma delegação Jordaniano-palestina às conversações com os israelenses.”

Rítmico-harmônicas, partidária-eleitoral, outono-inverno, caça-fantasma, telespectador-eleitor.

COMPOSIÇÃO SATÍRICA

O mecanismo da composição, ao possibilitar a associação de bases providas dos mais variados matizes semânticos, ocasiona a criação de ítens léxicos que procuram despertar a atenção do receptor. O estranhamento é provocado pela quantidade dos elementos compostos.

Ex. “O aparelho do Estado que a ditadura militar-tecnocrática-empresarial utilizou durante um quarto de século.”

Candidato-deputado-cantor/ partido-ônibus/ papamóvel/ momóvel/ franco-móvel/ sambódramo, fumódramo, camelodramo, namoródramo

COMPOSIÇÃO ENTRE BASES NÃO-AUTÔNOMAS

Ao contrario dos processos composicionais até agora descritos, a composiçao pode ocorrer entre bases não-autÔnomas ou entre uma base autônomas e uma não-independente ou vice-versa. Geralmente vinda de fonte erudita grega ou latina, as bases não-autônomas compõem itens léxicos característicos de vocabulários especializados.

EX. Onicomicose (do grego onico – unha) é o nome dado à doença quando a última é a unha do pé.

COMPOSIÇÃO SINTAGMÁTICA

Ocorre quando os membros de um seguimento frasal se encontram em uma íntima relação sintática, tanto morfológica quanto semanticamente. Entre a unidade léxica constituída por composição propriamente dita e a formada por composição sintagmática existem diferenças: A ordem de apresentação é sempre a do determinado seguido do determinante, além disso, o tipo de composição pode apresentar regras próprias quanto a flexão de gênero e número enquanto a os membros integrantes do composto sintagmática conservam peculiaridades flexionais de suas categorias de origem. A unidade lexical sintagmática encontra-se ainda em vias de lexicalização. Por isso, não costuma vir unida por hífen.

Ex. produção independente/ meio de comunicação/ condomínio fechado/plano verão, plano Collor

COMPOSIÇÃO SINTAGMÁTICA NOS VOCÁBULOS TÉCNICOS

Resultam de uma indefinição em relação a designação de uma nova nomeação.São vocábulos técnicos que usados com muita freqüência caem no uso.

Ex. Conta remunerada/ agenda eletrônica/ processamento de texto/ inteligência artificial/ ônibus espacial/ reserva de mercado


COMPOSIÇÃO POR SIGLAS OU ACRONÍMICA

Tipo especial de composição sintagmática, a formação de unidades neológicas por meio de siglas ou acronomia que resulta da economia discursiva.

Ex. Exército Revolucionário do Povo ERP
Partido dos Trabalhadores PT
Força Aérea Brasileira FAB

Pode também ocorrer união de algumas sílabas:

ANVISA- Agência Nacional de Vigilância Sanitária

DERIVADOS DE SIGLAS

PMDB- Peemedebistas
PT- Petistas

O gênero poema e Ensino

“A linguagem é o titulo de nobreza da humanidade” dizia o lingüista Hjemsleve. É sempre um homem falando que encontramos no mundo, o homem e a linguagem são inseparáveis.(Benveniste) Portanto, é preciso compreender a língua como ação, como ato de interlocução e comunicação entre seus falantes.

Há uma problemática no ensino de Língua portuguesa. O ensino de língua é apartado do seu uso, do seu contexto. Há muita preocupação em decorar nomenclaturas e nenhum esforço para se compreender o funcionamento da língua em sua função comunicativa, discursiva.

Ainda segundo Benveniste, a língua tem duas funções precípuas: fazer referência a algo no mundo e se comunicar. Ora, nos comunicamos oralmente e por meio da escrita, então por que o ensino nas escolas não depreende a fala coloquial como elemento de estudo, como variedade da língua? Por que se pretere a análise linguística nos textos para ensinar por fragmentos de frase e um ensino acrítico de gramática? A questão é que o ensino deve privilegiar a língua em sua função precípua; comunicar, e além disso, observar os fenômenos linguísticos nos textos, no seu percurso construtor de sentido.

Há alunos que sabem identificar as nomeclaturas, sabem de forma decorada as conjunções, as preposições, os pronomes, mas não sabem como funcionam no texto, ainda não aprenderam o funcionamento destes na construção de sentido. Por isso, a análise linguística defende o ensino por meio de textos, por meio dos gêneros textuais, pois, estão inseridos numa atividade sócio-discursiva que podemos observar a língua exercendo determinada função discursiva.

Não estamos deixando de lado a gramática. O objetivo é aplicá-la de forma consciente, reflexiva no processo de compreensão do sistema lingüístico, e da estrutura da língua. O que é condenável a meu ver, é fazer da língua um sem número de regras e nomenclaturas sem qualquer compreensão por parte do aluno. Por isso, advogamos que é necessário dar sentido ao que está sendo ensinado.

A opção por empreender uma prática didático-pedagógica do ensino de língua portuguesa nas propostas da AL é pautada nos observáveis resultados de compreensão da língua e de seu funcionamento. A metodologia da AL é mais reflexiva e privilegia o texto como unidade de ensino no processo de leitura e construção. Além disso, a AL abre um leque de observações sobre o funcionamento da língua, sua variedade, os novos gêneros textuais e a construção de sentidos no uso, na pragmática.

Há vantagens em aplicara AL, no ensino em sala de aula. O processo é integrado, em um gênero textual pode-se ensinar língua portuguesa; desde adjetivos, verbos, substantivos, períodos coordenados ou subordinados; tudo para compreender o texto em seu funcionamento. Um mesmo texto pode ser objeto de estudo por vários encontros. Por isso, os gêneros textuais são nossos objetos de estudo e tem uma sequência didática para o ensino por meio e através dele.
O conteúdo segue o currículo da escola, o que muda são propostas didáticas e o processo de ensino-aprendizagem. Aqui os textos são unidades de ensino e a língua tratada como forma de produzir textos orais e escritos. Veremos a seguir as propostas de atividades e como avaliar o aluno ou o processo.

Só há ensino se houver aprendizagem. As técnicas de ensino devem considerar a realidade do aluno, por isso a avaliação deve ser continua e cumulativa; observando a participação e o aprendizado; caso seja necessário mudar de técnica para que o aluno aprenda mais.

A utilização do gênero Lírico no método pedagógico:

Os PCNs propõem a utilização de gêneros textuais no processo metodológico de ensino. Os gêneros são os veículos com os quais nos expressamos e comunicamos,todo discurso tem sua gênese em um gênero. O objeto de nosso projeto, por isso, é o gênero lírico o qual abarca poesia e poema. A partir do gênero, podemos criar roteiros pedagógicos que desenvolvam e capacite o caráter discursivo e cognitivo do aluno.

Duas coisas caminham paralelamente na escolha dos textos a serem trabalhados: autor e obra.Porém,um ponto se mostra de fundamental importância na escolha dos textos a serem trabalhados que é a qualidade estética.É através dela que se pode traçar caminhos para chegara um fim pedagógico. Um bom texto abre vieses para temas por diversas aulas e também contribui para a aplicação e o ensino de diversos conteúdos pertinentes às analises a serem desenvolvidos em sala.

Modo de abordagem:

Entendemos abordagem como a forma a qual apresentaremos o gênero Lírico ao aluno. Para esse fim, lançamos mãos de uma metodologia; esta palavra proveio do grego e significa caminho para chegar a um fim. Desta forma, pressupõe que o docente prepare seu tema de aula. O planejamento antecipado é que determina uma abordagem qualitativa para o ensino sobre o gênero. O professor tem sempre que ter idéias de como aplicar o conteúdo de forma efetiva e agradável que despertem no aluno o interesse pela leitura do gênero sem a obrigação pela avaliação. O primeiro passo é apresentar a obra, seu tema, autor, contextualizar, criar expectativas; o segundo passo é fazer uma leitura do texto, dando sentido e expressividade a obra, valorizando as pausas, sonoridades e cadência. Dramatizar a leitura para criar sentido e dar vida ao eu-lírico com intuito de conquistar o ouvinte, é dessa forma que um ouvinte torna-se um leitor. Após a leitura, a abordagem segue com a leitura em grupo,como auxilio do professor, discutindo o tema do poema e aspectos que tangenciam a realidade. O maior interesse é fazer o aluno dialogar como texto poético.

O professor é o guia, condutor de futuros poetas e escritores, mas precisa investir na base, na preparação do discente. Todo aluno pode ser um escritor basta apresentar-lhes o caminho. O papel do docente é lapidar o poema e entregá-lo como obra prima, não acabada, pois o acabamento quem faz é o aluno, leitor/ouvinte. Devemos insistir e incentivar a prática de leitura em sala de aula que promove uma nova atitude educativa quanto ao gênero lírico. Sensibilizar os alunos a perceber os sons produzidos por aliterações, a forma e estrutura, os novos sentidos que as palavras adquirem no contexto, despertar a curiosidade de expressões novas, dar-lhes sentido a vida através da poesia. Segue-se ainda, na abordagem, o diálogo com o professor, confrontar opiniões de grupos, cada um dizer o que entendeu, identificar a situação comunicativa do eu-lírico bem como separá-lo do eu-biográfico. A maior abordagem é a poesia em si mesma, sua estética, seu alto teor significativo e criativo que deve ser apresentada ao aluno sem pretexto avaliativo.

Planejamento Didático:

A Didática como atividade de cunho prático torna melhor a relação de ensino-aprendizagem entre professor e alunos, pois, torna-a mais ampla,mais eficiente e técnica as formas pedagógicas para a utilização e otimização do gênero lírico em sala.É compromisso do professor definir a prática pedagógica que se adapte a realidade e a necessidade da turma.

De modo geral, a palavra didática se associa à arrumação, ordem e logicidade, por isso, existem planos de curso, planos de aula que organizam semestres e anos letivos para dar subsídios ao professor e ao aluno para uma boa aula e bom aprendizado. Com isso, esse projeto temático tem como arcabouço teórico e prático servir de ferramenta para o ensino de literatura no que tange ao gênero lírico em sala de aula. O aluno é o centro de nosso trabalho pedagógico, aquele que vem em busca do aprimoramento de suas competências e habilidades e o professor- aquele que busca seu aprimoramento e visa desenvolver seu trabalho de forma efetiva e qualitativa para promover o aprendizado de seus alunos.