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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A origem da Língua Latina

O latim teve sua gênese no Latium (Lácio), região da Península Itálica, em sua parte mais central. Por volta do século VIII a.C., nessa mesma região, foi fundada a cidade de Roma sobre o mito de Rômulo e Remo.

Segundo teóricos, há registros da Língua Latina que datam desde o século XI e VI a.C. Trata-se de antigas “inscrições”, que já utilizavam rudimentos dessa língua. Entretanto, tais inscrições eram bem diferentes de como chegou aos séculos posteriores. Os mais antigos textos literários, porém, pertencem ao III século de nossa Era.

Certamente, o contato com outros povos em razão do expansionismo territorial romano contribuiu e enriqueceu todo arcabouço cultural romano. Povos como os egípcios, etruscos, sumérios, acádios, bálticos, celtas, germanos, saxões, asiáticos etc. foram decisivamente colaboradores na formação cultural dessa cultura latina.

Entretanto, o povo que maior influência exerceu sobre Roma foi o grego. Desde que foram estabelecidas as primeiras relações entre Roma e Grécia, passa a haver uma simbiose, uma troca de valores, o que desencadeou um verdadeiro processo de helenização em Roma. O contato entre essas sociedades estabelece um novo momento para a difusão cultural: Roma passa colher em fontes gregas as formas de apreender religião, a literatura, o alfabeto, costumes, gêneros literários etc. Esse contato enriquece as manifestações culturais em Roma, já que a Grécia estava muito a frente na produção literária e política.

A fala é o que atualiza a língua. Em Roma, devido o processo de expansão, a língua latina foi sendo espalhada por vários cantos do mundo como língua oficial. Paulatinamente, o latim foi sofrendo alterações, transformando-se no que se denominou chamar de Latim Vulgar. Começou a haver, por isso, uma distinção entre o latim falado entre os nobres (Latim Clássico) e o latim falado nas ruas e nos escritos não literários (Latim Vulgar).

Alguns dos motivos para compreender as mudanças ocorridas na língua latina foram, sem dúvida, o contínuo avanço do latim para as regiões conquistadas (as províncias), as grandes distâncias geográficas, o nível cultural dos falantes e a influência estrangeira no processo de aquisição da língua. Se o latim clássico era falado essencialmente pela nobreza, a elite latina, o latim vulgar era falado pelas classes menos abastadas, pela plebe, pelos soldados, escravos etc.

O latim vulgar, mais presente na fala e na oralidade, tornou-se difuso e falado em quase todos os lugares. Entretanto, conservava-se nos textos literários o latim clássico. Mas foi a partir do latim vulgar que se originaram as línguas românicas como o português, francês, italiano, dálmata, romeno, sardo, espanhol etc. Dessa variante lingüística, tida como desvio da norma, nasceram as línguas românicas que compõem as línguas latinas faladas ainda hoje tendo o latim como substrato.

O latim passou por diversas fases em sua contínua evolução desde a descoberta de seus primeiros escritos. A primeira fase é a do latim pré-histórico, falado entre os primeiros habitantes do Latium e anterior a possíveis documentos escritos. Acredita-se que fora falado entre os séculos XI e VIII a.C.

A segunda fase é a do latim proto-histórico, presente nos primeiros documentos escritos. As primeiras inscrições são encontradas na fíbula de Preneste, uma fivela do século VII ou VI a.C. Também foi encontrado inscrições em vasos como o vaso de Duenos.

A terceira fase é a do latim Arcaico. Trata-se da língua falada entre o século III e I a.C. É encontrada em antigos textos literários como as obras de Plauto, Terêncio, Névio, Ênio, C Latim Vulgar Catão ––e também em epitáfios.

Outra fase é a do latim Clássico que floresce a partir do segundo quartel do século I a.C. É nesse período que são compostas as memoráveis obras que marcaram a prosa e a poesia latina. A língua foi imortalizada nos textos de Cícero, Virgilio, Horacio,Titus Livius e outros eminentes escritores.

Outro momento da língua foi o latim vulgar. A passagem do latim clássico para o latim vulgar foi consequência natural da língua seguindo suas necessidades reais de comunicação. Embora tenha se desenvolvido nas camadas populares: pela plebe, pelos artesãos, clientes etc. no dia-a-dia, na oralidade essa variante foi “tomando corpo” e importância, chegando a estar presente em obras literárias como as de Plauto, colocando em seus personagens de teatro a voz a linguagem do povo.

Por fim, temo o latim pós-clássico que se encontra nas obras literárias compostas entre os séculos I e V de nossa Era. Nesse período, a distancia entre a língua falada e a escrita diminui consideravelmente. Com as várias invasões, o latim vai perdendo sua unidade e começa a transformar-se em diversos falares locais o que desencadearia as línguas românicas.

O alfabeto latino, por muito tempo, constou de apenas 21 letras que eram: A, B, C, D, E, F, G, H, I,K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, X. A posteriori, para transcrever certas palavras de origem grega foram, no século I a.C., acrescentadas as letras Y e Z de seu alfabeto. Além disso, por carecer das consoantes J e V, as vogais I e V faziam a função das consoantes referidas.

6 comentários:

  1. Na intenção de divulgar o meu trabalho, cheguei até aqui. Muito bom o seu espaço, gostei bastante. Certamente voltarei mais vezes. Aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER...em http://www.silnunesprof.blogspot.com
    Se você gosta de histórias, garanto que vai gostar.
    Saudações Florestais !

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  2. Salve!
    Muito obrigada pela visita e por seu comentário. Hoje a conexão está dando uma colher de chá, , estou conseguindo abrir alguns blogs menos carregado e deixar o meu profundo agradecimento - é muito bom poder contar com você. Aos pouquinhos eu vou dando conta de tantos amigos, de tantos comentários e de tantas leituras interessantes que aparece. Divulgar esse imenso país com suas belezas naturais e multiplicidades culturais é a minha verdadeira intenção, afinal ninguém pode amar aquilo que não conhece, não é verdade ? Eu me apaixonei pelo Brasil aos 12 anos de idade quando li Ariano Suassuna em "O Auto da Compadecida" - Chicó foi o meu primeiro amor..Penso que falta ao povo brasileiro é esse sentimento de pertencimento, de vontade de preservar o seu espaço lutando por um mundo cada vez melhor. Vemos tantas coisas na TV, escandalos de dinheiro em cueca, em bolsas, em malas e até na meia. Se essa raça de políticos amassem o Brasil e seu povo, isso não aconteceria. Com certeza que não. Porque eles só estão pensando neles próprios, dane-se quem vem atrás : farinha pouca, meu pirão primeiro, é o pensamento de quem não tem esse sentimento de pertencimento por uma nação tão linda, tão especial. Sim, porque aqui ainda é o melhor lugar para se morar. Por isso faço questão de divulgar a nossa cultura, o nosso povo, quem sabe um dia a ficha cai...Pode até ser uma ideologia, mas acredito que o melhor caminho seja a educação, o conhecimento.
    Só sei que a coisa me parece estar dando certo, porque até já andei conhecendo alguns blogs iguais aos meus, a cópia é tão grande que até o layout e o corpo de letras são iguais - assim ninguém merece...
    Que a Paz e o Bem estejam sempre com você e mais uma vez muito obrigada pelo seu carinho para com o meu trabalho.
    Um grande abraço,
    Silvana Nunes.'.
    Saudações Florestais !

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  3. Olá amigo André...amei o post!
    Me fez lembrar daquelas nossas aulas de Latim,e é claro da nossa sempre " magistra" Olga..rs ( saudades)
    Muito saber que vc um ser pensante e evoluido está partilhando seu conhecimento com o mundo, sinto muito orgulho disso e da pessoa linda e iluminada que vc é.
    Desejo á vc um FELIZ 2010!!

    BJS da amiga Aline!

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  4. Você é muito inteligente. Consigo reconhecer um artigo bom de longe, não são apenas aqueles textos sem nexo do wikipedia, etc.
    Meus parabéns =]

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  5. Obrigado... gostaria de poder ter mais produção e tempo para dividir com todos. Eu me sinto lisonjeado pela leitura e pela visita de cada um.

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